Professor de muay thai (Fred Motta)

Posted on set 20, 2012

Ele fez da arte marcial a sua profissão. Ex-professor de geografia e atual professor de muay thai, Fred Motta traz para as salas de aula tudo o que aprende com o Mestre Olimpio e em suas viagens à Tailândia.

 

Você sempre pensou em fazer geografia?

Não. Na verdade, eu sempre soube que ia trabalhar com muay thai. Eu comecei na arte marcial bem pequenininho. Com 8 anos fazia judô, depois fiz taekwondo, full contact… E, com 17 anos, conheci o muay thai. Treinei uns dois meses e parei. Mas, a partir daí, fiquei com isso na cabeça: “Eu tenho que voltar, tenho que treinar.”

E por que acabou escolhendo geografia? 

Porque tem aquela pressão, né? A gente tem que fazer vestibular, estudar… Aí, acabei fazendo geografia, que também era uma coisa que eu gostava. Cheguei a estagiar no Ibama, mas não é do meu perfil trabalhar em empresa. Não sou eu, não tem jeito! (Risos). Se fizesse isso, não ia ser feliz. Formei e comecei a dar aula.

Onde você deu aula?

Em escola, no Sesi. Mas, quando comecei a fazer faculdade, não pensava em ser professor. O meu curso era geografia e análise ambiental e eu achava que ia trabalhar no campo, fazer pesquisa… Queria mexer com algo relacionado ao meio ambiente, preservação… Mas na realidade, não é bem assim que funciona. Então, acabei indo pra sala de aula, onde trabalhei durante 8 anos.

E, nessa época, você já tinha voltado a treinar?

Já, treinava muito! Foi aí que decidi sair da escola e parar de dar aula. Eu já estava envolvido demais com o muay thai…

Qual foi a reação da sua família, neste momento?

Lá em casa, o pessoal era meio assim comigo… (Risos) Mas foi só uma transição: saí de um e fui pro outro. Não foi: “Vou largar tudo e começar uma nova carreira.”

Você saiu da escola e já começou a trabalhar com muay thai? 

Trabalhei com eventos por um tempo porque, nessa época, eu estava com o braço quebrado e não podia dar aula, nem treinar. Mas eu ficava sempre correndo por trás do muay thai, pra poder chegar onde estou hoje.

E como surgiu o convite para ser professor?

Em 2006, fui pra Tailândia pela primeira vez, pra treinar. Quando voltei, comecei a dar aula na academia que eu treino hoje, num horário alternativo. Meu mestre dava aula em um horário e eu em outro. Comecei com umas alunas particulares, bem de leve… E, aí, as coisas foram acontecendo.

Mas, quando você foi pra Tailândia, não passava pela sua cabeça que poderia ser professor?

Não. Eu fui pra lá pra me aperfeiçoar. Não fui pensando assim: “Ah, vou pra Tailândia porque quando eu for professor, vou precisar disso.” Eu queria treinar, conhecer os tailandeses, ficar bom… E isso tudo veio como consequência.

 

Imaginava que ia chegar até aqui?

Eu nunca comecei a treinar com o objetivo de ganhar dinheiro com isso. Sempre treinei porque sempre gostei de arte marcial. Meu mestre é muito famoso aqui em BH e eu queria aprender com ele. Hoje, sou completamente profissional como professor, não como lutador.

Mas você já foi campeão mineiro e carioca… 

Já! Mas não tem como a gente ser profissional lutando muay thai no Brasil. Dando aula, ok! Eu já ganhei uns títulos, mas não ganhei dinheiro pra ganhar esses títulos. A gente luta amador. Para lutar profissional, tem que ir pro MMA.

Você já recebeu algum convite para dar aula fora de Belo Horizonte?

Recentemente, fui para Nova York e fiquei 10 dias treinando com um amigo meu, o Rafael Sapo, que é lutador do UFC. Treinei com altas feras do UFC… Foi bacana demais! E, se eu quisesse ficar, era só ficar. Já tinha aluno querendo fazer aula particular comigo.

Então, é um trabalho que está abrindo muitas portas pra você…

Está! Aonde eu chegar no mundo, com a experiência que eu tenho, consigo dar aula… Menos na Tailândia. (Risos).

Tem vontade de morar lá um dia?

É aquele negócio: você nunca está na idade que você quer com a cabeça que você quer. Se eu fosse mais novo e não tivesse tantos compromissos, moraria na Tailândia, por um ano, para aprofundar ainda mais no esporte. Ano passado, eu e o meu mestre organizamos uma excursão e levamos 20 alunos dele pra lá. Foi bem legal!

O muay thai virou uma modinha. Isso te incomoda? Porque tem toda uma história por trás…

Virou total! E me incomoda um pouco sim. O muay thai tem uma tradição enorme. O povo tailandês usava o muay thai para ir pra guerra. Na Tailândia, ele o budismo caminham lado a lado… É muito cultural! E, lá, ninguém paga para treinar. Um menino que não tem condição nenhuma é levado pro centro de treinamento pelo pai dele, que vira para o dono do centro e fala: “ Faz o meu filho ser um campeão porque, assim, ele vai poder subir na vida.”

Como é sua rotina, hoje?

A minha vida é 24 horas por conta do esporte. Acordo e dou aula, aula, aula… Aí, vou pro treino, corro, malho… Mas é bom demais! (Risos).

O que te deixa mais feliz no trabalho?

É quando eu vejo o aluno fazendo um movimento certinho, perfeito, igual ao de um lutador top na Tailândia! Porque não é fácil… O muay thai é uma arte marcial bem difícil.

Você faz o que ama, tem uma resposta boa dos seus alunos… O que mais quer conquistar na profissão? 

Eu vou virar mestre! Daqui a uns 6 anos.

E o que muda você virando mestre?

Basicamente, é uma coisa mais pessoal mesmo. É o meu titulo: “Eu sou mestre de muay thai!”.

Mas você também era professor… Imagino que essa experiência em sala de aula deve ter te ajudado de alguma forma.

Ajudou demais! Eu estudei muita didática para poder dar aula. E, quando você está numa sala com 40 alunos, cada um vai aprender de um jeito. É a mesma coisa aqui… Eu tenho que identificar o que cada um está errando mais, o que tem que melhorar…

Você se vê trabalhando com isso pro resto da vida?

Vejo, claro! Até no dia de morrer, vou vestir um short de muay thai e entrar no tatame! (Risos). Vou trabalhar até quando eu conseguir, porque depende demais do corpo também… Ele tem que estar sempre em dia.

Tem alguém que você agradece por ser o que é hoje?

Agradeço demais à minha família e ao meu mestre. Sem eles, eu não chegaria em lugar nenhum. A primeira vez que pedi pro meu mestre para treinar com ele, eu não tinha condição de pagar a mensalidade e ele me aceitou, me acolheu… Hoje, sou um dos alunos mais graduados que ele tem.

Defina seu trabalho com uma palavra.

Felicidade. Toda vez que você for treinar, você tem que estar feliz. Se estiver mal, não vai fazer um treino legal. Sempre que a gente vai treinar na Tailândia, o treinador fala: “Se estiver triste, não vem treinar”. Ele fica falando o tempo todo pra você: “Happy, happy, happy!”.

 

 

Contatos do Fred: Tel.: (31) 8863.8970 email: fred.motta@ig.com.br Facebook: Fred Motta Olimpio`s Gym Academias que ele dá aula: Body Shape, By Japão, Rio Sport Center.

9 Comentários

  1. Parabéns Fredão, pela história e pelas vitórias! Muito sucesso, sempre. Sawadee!

  2. Sucesso esse blog!!!

  3. MUITOOOO LEGAL…A SURPRESA DE ME DEPARAR COM ESTA ENTREVISTA LINDA, E SENTIR EM CADA RESPOSTA A REALIZACAO DE UM SONHO !…COMO MAE SEI QUE FUI RESISTENTE, PORQUE NAO GOSTEI NADA, DE VER “MEU FILHO” AOS 12 OU 13 ANOS DE IDADE, ENTRAR NUM TATAME, E LEVAR PORRADAS!…MAS COM O TEMPO, A DECISAO FORTE E PERSISTENTE DO FRED ME VENCERAM. E MAIS QUE ISSO, ENXERGUEI QUE POR TRAS DA LUTA, EXISTEM SENTIMENTOS NOBRES, COMO CARATER, DISCIPLINA, DETERMINACAO E AMOR!….HOJE SOU COMPLETAMENTE FELIZ, SE ELE ESTA FELIZ! BJO MEU FILHO,E OBRIGADA OLIMPIO!

    • Tia Tina, fiquei muito emocionada com as suas palavras. Vc tem mesmo que ter orgulho dessa história tão especial e a gente tb teve orgulho de poder compartilhar aqui. Beijão

  4. Orgulho demais pela suas conquistas! Parabéns!

    • Obrigada pelo comentário, Zeca.

  5. Parabéns, Fred. História de Sucesso mesmo. E, como você disse na entrevista, na Tailândia Muay Tai e Budismo andam juntos. É um “viver” a arte. É um caminho, o caminho do guerreiro, que envolve técnica e caráter, força e disciplina. Parabéns, Tina e Fred, pela bela familia.

  6. Ex-aluno de geografia tem desconto?kkk

  7. Muito bonita sua história. Eu treino Muay-Thai há uns 06 meses e tenho vontade de ser professor da arte, já treinei capoeira, jiu-jitsu, mas o Muay-Thai me conquistou, como no seu caso anteriormente, trabalho em um ramo diferente, mexo com informática, mas a minha paixão realmente é o esporte e especificamente o Muay-Thai, apesar de já ter 37 anos, mas sou muito dedicado nos treinos e me cuido muito. Espero um dia poder chegar a ter uma história muito bonita como a sua, me tornando professor dessa arte. Abraços e felicidades.

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