Designer de moda e sócia da marca Camilla Torres (Camilla Torres)

Posted on abr 15, 2013

Apaixonada pela psicanálise desde os 15 anos, Camilla Torres decidiu fazer psicologia e exerceu a profissão durante algum tempo. Mas, uma outra paixão acabou mudando o rumo da sua vida.

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Como você decidiu fazer psicologia e, depois, foi parar no mundo da moda?

Comecei a fazer análise muito cedo, com apenas 15 anos. Foi aí que conheci a Psicanálise e me encantei por ela. Isso me fez escolher a Psicologia.

Você gostou do curso?

Eu amei! Para o trabalho que faço hoje, não poderia ter feito curso melhor. Se você for pensar, o trabalho com moda exige que você lide com desejos, anseios e comportamentos assim como a psicologia. Eu trabalho o tempo inteiro com o desejo das pessoas. Sempre fui uma aluna dedicada e gostei muito do curso de Psicologia. Fiz estágios, fui monitora da PUC, mas comecei a trabalhar com moda e a produzir peças durante a minha faculdade.

O que você fazia?

Comecei minha história com as roupas vendendo peças de malha que eu comprava prontas e apenas revendia. Só que comecei a me cansar dos modelos, achar tudo muito repetitivo e a pensar que não deveria ser tão difícil assim fazer uma roupa. Eu já tinha feito alguns cursos de auto costura e passei a gostar cada vez mais da criação e da produção das peças. Nessa época, que decidi aprender a desenhar e descobri como tudo funcionava. Fiz vários cursos técnicos: modelagem e costura. Peguei um dinheiro que eu tinha guardado na poupança e gastei tudo em tecido. Minha mãe quase me matou! (Risos) 

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Onde você vendia as roupas que fazia? 

Comecei a vender na faculdade e deu super certo! Depois, passei a fazer uns chás na minha em casa e muitas pessoas que eu nem conhecia começaram a ir nesses chás. Teve um natal que foi impressionante! Vendi, absolutamente, tudo que fiz. Só que eu já estava formando e, um dia, falei: “Não vou mais mexer com isso. Agora eu sou uma profissional.” (Risos) 

E, parou mesmo?

Até que tentei, mas quem trabalha com moda vicia (risos). Assim que me formei tentei me dedicar totalmente a Psicologia. Durante a faculdade e depois dela, trabalhei 8 anos em uma empresa de mineração e dividi, por um tempo, um consultório com uma amiga. Trabalhava em um projeto social em parceria com um psicanalista atendendo adolescentes. Na verdade, foi esse projeto que me fez ficar muito tempo na psicologia.

Você gostava de atender?

Sempre gostei! Eu era feliz na época em que me dedicava à psicanálise, mas o início da carreira de um psicanalista não é fácil. É necessário um tempo razoável para que você tenha um número de clientes suficiente para que seu consultório te sustente, sabe? Isso é bem difícil! Além do mais a moda, as roupas, os tecidos não saiam da minha cabeça. Um dia, um fornecedor de tecido me ligou falando que tinham chegado várias estampas lindas… Eu falei que eu não queria ver, que tinha parado de trabalhar com isso, mas ele insistiu e eu acabei indo. Resultado: voltei pra casa cheia de tecidos. (Risos) E, foi nesse dia, que decidi que não iria mais trabalhar com psicologia. Não foi uma decisão fácil, mas pensei: “Quer saber? Vou pagar pra ver.” Resolvi fazer uma pós graduação em design de moda e apostar nisso.

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E, a sua família te apoiou?

Eles nunca me influenciam, negativamente, mas a minha mãe tinha medo de dar tudo errado.

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Sua primeira loja foi no bairro Santo Antônio. Como foi montar seu próprio negócio?

Na verdade, antes de eu abrir esse meu primeiro espaço, abri duas lojas temporárias em Caraíva, na Bahia, e foi fantástico! Eu ia sempre pra lá nas minhas férias e, um dia, decidi ficar mais tempo. Aluguei uma casa linda lá… Dormia no fundo dela e a loja era na frente. Vocês não imaginam o tanto que eu vendia! Fiz isso em dois janeiros e comecei a ter uma experiência, mesmo que pequena, em venda, funcionamento, logística… Quando abri minha loja no Santo Antônio, eu penei muito, mas aprendi mais ainda. Se tivesse feito uma faculdade de moda, não teria aprendido tanto. O mundo da produção, da confecção, é muito diferente do que as pessoas imaginam. Não tem glamour nenhum, é muita ralação.

Teve alguma peça ou coleção que você desenvolveu que ficou marcada? 

Teve uma história muito boa… O primeiro vestido de festa que eu fiz. Uma amiga muito querida que trabalhava comigo no projeto social me pediu que eu fizesse um vestido de festa para ela. Eu respondi que não fazia vestido de festa – nessa época eu fazia apenas peças de malha. Ela insistiu muito e eu resolvi assumir essa empreitada. Fazia aula de modelagem na época e eu e minha professora criamos um vestido longo em shantung de seda pura rubi com várias dobraduras lembrando origamis. O vestido ficou lindo e vestiu como uma luva. Graças a Deus! Depois disso fiquei sabendo que a cerimônia era o casamento do enteado dela e tal. Quase morri! (risos). Por outro lado esse vestido despertou em mim o amor profundo pelos vestidos de festa e pelas roupas sob medida que eu tenho um prazer imenso em fazer.

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Já passou pela sua cabeça trabalhar com vestido de noiva?

Sim, mas acho que eu ainda não tenho estrutura para atender à uma noiva com todo o glamour e conforto que uma noiva merece. Eu fiz o vestido de noiva da minha prima, mas foi um vestido anos 20, bem diferente. Amei fazer e ficou lindo! Tenho atendido muitos pedidos de vestidos de festa que eu amo fazer. É um trabalho completamente diferente do desenvolvimento da coleção, pois se trata da criação de uma peça para uma ocasião muito especial feita exclusivamente para aquela cliente.

O que te deixa mais feliz nessa profissão?

Pode parecer clichê, mas não é! Ver uma cliente minha satisfeita e se achando linda e confiante é muito prazeroso! Eu amo o que eu faço e às vezes acabo trabalhando muito mais do que eu deveria. Mas o retorno das pessoas é muito bom! Principalmente, das minhas clientes “jovens senhoras”, porque vestir uma menina de 20 anos, com toda a juventude e um corpinho lindo, é muito fácil! (Risos) Ver uma jovem de 50, 60 anos extremamente elegante, se achando bonita e atraente… isso não tem preço! E, lógico que ver meu trabalho aparecendo também é muito bom!

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Defina seu trabalho com uma palavra.

Paixão. Sou completamente apaixonada pelo o que eu faço. Obviamente passo por momentos difíceis. Quem é empresário sabe que essa sensação é quase que diária, mas eu sempre acho que tudo vai dar certo, que tudo vale a pena. Sou uma apaixonada pela moda.

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Rua Espirito Santo, 2682 – Lourdes – BH

www.camillatorres.com

(31) 3293-9540 

 

2 Comentários

  1. achei bacana demais sua história, estou no mesmo barco se encaro a costura de vez (já tenho tudo que preciso tenho até a clientela)acho que preciso de mais incentivo de que vai dar muito certo

  2. Linda sua historia , que deus te ilumine muito mais , hj vc mim deu mais forças para seguir em frente , sou sacolera e amo o que faco …. bjs

Trackbacks/Pingbacks

  1. agora sim - TOUT - Camilla Torres - [...] Hoje é um pedacinho da história da nossa marca que está lá. Vale a pena conferir! Agora Sim! [...]

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